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    NOAM CHOMSKY - "EUA vêem Israel como sua base"

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    NOAM CHOMSKY - "EUA vêem Israel como sua base"

    Mensagem  PLivre em Qua Mar 04, 2009 6:05 pm

    NOAM CHOMSKY - "EUA vêem Israel como sua base"

    Zurique - Recusando-se a adequar seu pensamento e sua palavra aos pontos de vista predominantes nos veículos de comunicação internacionais sobre o "direito de Israel se defender contra o Hamas terrorista", o pensador judeu e norte-americano Noam Chomsky denuncia - aberta e diretamente - a arrogância israelense, apoiada pelos EUA.

    Chomsky sustenta que EUA e Israel se dedicam a cometer os crimes pelos quais acusam o Hamas. Ele destaca que o fundamentalismo da organização islâmica é muito mais suave que o da superpotência norte-americana e do Estado hebreu. A seguir, partes de sua longa entrevista.



    - A opinião pública internacional, mais especificamente o mundo muçulmano, tem grandes expectativas com a eleição de Obama. Pode-se esperar uma mudança de posição dos EUA no conflito israelense-palestino?

    Diria que não. Ao contrário, a situação poderá se tornar pior do que antes. Obama preferiu silenciar sobre a guerra em Gaza, afirmando que existia um só presidente. Ele expressou pontos de vista sobre uma série de outros temas, mas não falou sobre Gaza.

    Em sua campanha eleitoral, repetiu várias vezes uma declaração que havia formulado seis meses antes, quando visitou Israel. E da cidade israelense de Siderot - onde caem os foguetes do Hamas - disse: "Se isto acontecesse às minhas filhas, justificaria qualquer reação como válida". Naturalmente, não disse nada sobre as crianças da Palestina.

    O ataque contra Gaza foi programado de forma tal que fosse encerrado exatamente pouco antes de seu juramento constitucional, algo que eu já havia previsto. Suponho que o objetivo era garantir que Obama não fosse obrigado a dizer nada contra os israelenses, exatamente o que aconteceu.

    Sobre Gaza nada disse, sequer em seu primeiro discurso sobre política externa. Limitou-se apenas a dizer que "o supremo interesse dos EUA é garantir a segurança de Israel". E até acrescentou que "os EUA jamais negociarão com o Hamas".

    E é fato que assim que o Hamas assumiu o poder, através de eleições democráticas e livres, Israel e os EUA - com a ajuda da União Européia - começaram a aplicar penalidades mais duras sobre a população palestina, porque esta "votou errado". Esta parece ser a democracia deles.

    O único comentário que Obama fez foi o de que "o plano árabe de paz continha elementos construtivos porque instava a normalização das relações com Israel". Um homem inteligente compreende muito bem que não era isso que o texto dizia.

    Ele propunha uma solução de dois Estados, no âmbito internacional, e no contexto desta colocação poderia existir uma normalização das relações com Israel. Obama se desviou da essência e se concentrou apenas na normalização das relações com Israel.

    Isso seguramente não foi um equívoco. Foi uma conformação muito atenciosa, que refletia a mensagem de que os EUA não pretendem se opor ao negativismo de Israel. Assim como continuarão tolerando a política colonialista de Israel, que inviabiliza qualquer esperança de criação de uma existência viável da Palestina. Assim, resta apenas a solução da violência.



    - Vamos falar sobre o período da guerra na Faixa de Gaza. Foi casual ou proposital? E a crise econômica mundial, desdenhou a hegemonia mundial quase absoluta dos EUA? O senhor diria que este vazio de poder favoreceu o ataque israelense?

    O momento temporal seguramente foi vantajoso, pois a atenção de todos estava voltada para outras questões. E se Bush estava de saída da presidência, Obama poderia se esconder atrás do pretexto de que ainda não havia assumido oficialmente as rédeas.

    O mesmo quase aconteceu na Europa, onde disseram simplesmente que "não podemos falar sobre isto agora, o período é muito difícil". Consequentemente, o momento temporal do ataque havia sido corretamente escolhido.

    Entretanto, existiam outros fatores: os bombardeios foram iniciados imediatamente após a proposta do Hamas de voltar ao acordo de 2005, que se supunha ser apoiado pelos EUA. Aí disseram: "Ok, vamos voltar ao acordo de 2005", isto é, antes do Hamas ser eleito e assumir o poder.

    Isto significaria que a violência cessaria, com a condição de as fronteiras serem abertas. O fechamento das fronteiras significa o cerco de um povo. É um ato de guerra. Israel sabe disso. Aliás, deflagrou duas guerras, em 1956 e 1967, exatamente com base no argumento de que seu acesso ao mundo exterior estava impedido.

    E nem se tratava de um cerco, mas da dificuldade de acessar o Golfo de Ákaba. Por causa disso, deflagrou duas guerras. Em todo caso, Haled Maasal (líder máximo do Hamas) pediu em 25 de dezembro a abertura das fronteiras. Em troca, o Hamas cessaria qualquer conflito. Dois dias depois, Israel deflagrou a guerra.

    O ataque foi realizado na manhã de sábado - o sabá judaico - às 11h30, que "por acaso" é o horário em que as crianças estão saindo das escolas e a população civil está nas ruas desta cidade tão densamente habitada.

    O alvo direto eram os policiais em treinamento, mas Israel naturalmente não conseguiu desfechar qualquer "ataque cirúrgico". Assim, as vítimas foram centenas de civis desarmados.

    Sei que o setor jurídico do exército israelense foi contrário a isto durante vários meses, porque o bombardeio seria um ataque contra civis desarmados. Mas o setor jurídico foi finalmente obrigado a se calar, pelo Exército, e aceitou o plano.

    Duas semanas mais tarde, Israel - novamente por ocasião do sabá judaico - bloqueou a ajuda humanitária, matando inclusive o motorista de um dos caminhões, honrando assim o feriado.

    Mas o mais importante é que o ataque foi planejado com o objetivo de torpedear os esforços por um acordo pacífico, e a guerra terminou exatamente no momento do juramento constitucional de Obama, para livrá-lo de qualquer posição difícil.

    É difícil acreditar que tudo isso aconteceu de forma proposital. Sabemos seguramente - e a imprensa israelense o confirmou - que este ataque foi estudado e planejado seis meses antes.



    - Em recente declaração, o senhor havia dito que as políticas do Hamas são mais favoráveis à paz que as de Israel e EUA...

    Sim, isto está claríssimo. Já há muitos anos o Hamas declara, sem meias palavras, que deseja a solução de dois Estados. Não se dispõe a reconhecer Israel, mas declara que está disposto a aceitar uma trégua prolongada - o que pode durar muitas décadas.

    Isto não coincide com o consenso internacional, mas está bastante perto. Por outro lado, Israel e EUA rejeitam, sem discussão, o consenso internacional. Uma prova palpável é a ampliação dos assentamentos israelenses na Margem Ocidental, em flagrante violação do Direito Internacional.

    Os assentamentos ilegais na Margem Ocidental são construídos para a criação dos batustan ("guetos" para os palestinos, a exemplo do modelo da África do Sul, durante o período do apartheid), de acordo com o termo utilizado por Ariel Sharon, arquiteto da política colonialista.

    Isso significa que Israel toma o que quer, tornando o que sobrou da Palestina em regiões não viáveis. Insisto, pois, que o Hamas aproxima-se mais do consenso internacional no que diz respeito à solução pacífica do conflito.

    Você sabe, a exigência de Obama para negociar com o Hamas, coloca três condições: reconhecer Israel, renunciar à violência e aceitar os acordos anteriores, especificamente o "Mapa do Caminho". Mas qual das três EUA e Israel cumprem?

    Seguramente, não renunciam à violência e rejeitam o "Mapa do Caminho" (tecnicamente o aceitaram, colocando 14 reservas, que no final eliminam sua essência. Consequentemente, tanto Israel quanto EUA violam as duas condições que impõem ao Hamas, e ambos seguramente não reconhecem a Palestina.

    Há muitas questões pelas quais alguém pode acusar o Hamas. Mas, no que diz respeito aos tempos que estamos discutindo agora, as políticas do Hamas convergem mais para o consenso internacional do que as de Israel e EUA.



    - O Hamas é acusado de utilizar escudos humanos. Israel também sustenta que a guerra tinha caráter defensivo, enquanto outros pontos de vista argumentam que Israel exerce terrorismo de Estado...

    O Hamas é acusado de utilizar escudos humanos. Mas, será que Israel não faz o mesmo? É um Estado terrorista? Sim, de acordo com as definições oficiais da palavra. Um dos aspectos que ainda impedem o cessar-fogo é a exigência de Israel para que o Hamas liberte o soldado israelense Gilad Salit, que é prisioneiro de guerra.

    Mas aquilo que o mundo não sabe, porque os veículos de comunicação ocidentais não mencionam, é que um dia antes de se tornar prisioneiro o exército israelense entrou em Gaza e sequestrou dois cidadãos (os irmãos Muamar), trancafiando-os nas prisões israelenses sem nenhuma acusação. Ninguém sabe o que aconteceu com eles.

    Sequestrar cidadãos comuns é muito pior do que aprisionar um soldado que está atacando sua cidade, não é? E além disso, tais violências constituem práticas normais de Israel. Não nutro nenhuma simpatia pelo Hamas, mas quando se trata de compará-lo com Israel e EUA, devo dizer que o Hamas é um criminoso de segundo grau.



    - Embora o senhor seja judeu, tem sido frequentemente acusado de anti-semitismo. Como o senhor reage?

    O comentário a propósito mais importante foi formulado há 35 anos, pelo destacado político israelense Abba Eban, em uma palestra realizada perante um auditório norte-americano.

    Disse ele que existem duas espécies de crítica ao sionismo - especificamente, às políticas de Israel: a primeira espécie de crítica provém dos anti-semitas, e a segunda dos hebreus neuróticos que odeiam sua própria raça. Isto exclui em 100% qualquer crítica.

    Referindo-se aos hebreus neuróticos, que odeiam sua própria raça, Eban destacou eu e o conhecido escritor I.F. Stone. Tais conclusões só poderiam ser esperadas de um stalinista decadente. Como você vê, eu não posso ser anti-semita, porque sou hebreu.

    Consequentemente, e por definição, devo ser um hebreu neurótico que odeia seus iguais! A conclusão de Eban é que as políticas de Israel são perfeitas. Consequentemente, qualquer crítica contra estas políticas é inaceitável. E tudo isso foi dito por uma personalidade excelsa de Israel, e que se considera um "pombo".



    - Como o senhor comentaria o recente episódio durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, quando o premiê turco Erdogan agrediu verbalmente o presidente de Israel Shimon Pérez?

    Foi mais mal educado. Você não pode se comportar assim em Davos. Contudo, o fato de a Pérez terem sido concedidos 25 minutos para justificar o massacre em Gaza é chocante. Por quê aceitaram algo assim? Será que permitiriam a Saddam Hussein justificar a guerra que desfechou no Kuwait? Minha opinião é de que Erdogan talvez não tenha reagido com a devida elegância, mas seguramente portou-se adequadamente, considerando a trégua específica.



    - O senhor tem conhecimento do navio "Monchegorsk", que se encontra fundeado nas costas do Chipre e que dizem estar transportando armas para o Hamas?

    Não sei suficientemente o que aconteceu com este navio, mas sei que em meados da guerra na Faixa de Gaza os israelenses impediram a aproximação do navio Dignity, que transportava ajuda humanitária à Palestina e que foi alvo de ataque da marinha israelense.

    Indiscutivelmente, foi um crime gigantesco. Trata-se de algo pior e mais grave do que a pirataria que assola as costas da Somália, por exemplo. Em relação ao navio que veio do Irã com armas, se estiver navegando ou fundeado em águas internacionais, trata-se de algo totalmente ilegal.

    Tanto os EUA quanto Israel não têm o direito de impedir sua livre navegação em águas internacionais. E todo este pânico sobre armas que são destinadas à Gaza... Mas também estão sendo enviadas, incessantemente, armas a Israel?

    Você sabe que em meio à guerra em Gaza o Pentágono anunciou o envio de uma gigantesca carga de armas a Israel "para serem utilizadas pelo exército norte-americano"!

    Em outras palavras, aquilo que dizem é que os EUA vêem Israel como sua base militar, uma cabeça-de-ponte além mar, que podem ocupar e utilizar para ameaçar e promover intervenções militares em toda a região.



    Laura Britt

    Sucursal da União Européia.

    LINK: http://www.monitormercantil.com.br/mostranoticia.php?id=58310


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